Profissão de DJ


Profissão de DJ

Olá, sou o Roger Manosi, atuo como DJ aqui em São Paulo e além disso também tenho uma consultoria na área de Tecnologia da Informação.  A convite do Rodrigo Fernandes, vou contar um pouco da minha história e com isso tentar mostrar a você, que deseja seguir essa “carreira”, motivos suficientes para fazer da forma certa.

Profissão de Dj

Iniciei realizando festinhas para amigos e parentes pois sempre que ia pra uma balada, via o DJ lá na cabine, pondo uma música atrás da outra, ficava enfeitiçado com aquela magia que a balada trazia. Isso em meados de 1995.

Até que um dia um amigo me aconselhou a fazer isso profissionalmente. Num primeiro momento, contrário a toda a massa que não pode ouvir um elogio e já se acha o “Einstein” da atualidade, refutei o conselho achando que não era bem por aí, que meu amigo estava viajando. Mas, comecei a estudar E MUITO para, quem sabe um dia, poder atuar como DJ.

E foi o que aconteceu. Mas não coloquei “DJ” antes do nome no dia seguinte, não!


Estudei, primeiro; pesquisei muito sobre o que um DJ toca numa noite, quais são os estilos musicais, a diferença entre mixar, remixar, produzir, fazer um “bootleg” ou mesmo o que era um “white label”. Tudo isso numa época onde a internet estava engatinhando aqui no Brasil (meados de 1995, 1996), e as conexões mais “rápidas” da época não permitiam tanto conteúdo nos sites, impedindo a rápida disseminação das informações.

Além disso, ninguém tinha boa vontade em produzir tutoriais, como os que conhecemos hoje, o Youtube sequer existia (e se existisse, seria severamente limitado pelas “rápidas” conexões de 56kbps nos modems Motorola e US Robotics), e o acesso à informação era, face a isso, muito restrito.

Se eu, na minha geração, passei dificuldades para estudar (e ainda assim o fiz), imagine quem começou nas décadas anteriores? Quem era DJ na década de 70 tinha que ter um bom relacionamento no club onde queria tocar, muitas vezes passando pelo cargo de “iluminador”, primeiro, para, só então, poder concorrer ao cargo de DJ, que, em muitos casos, ficava localizado numa cabine remota, longe da pista, sem contato algum com o público.

Até parece redundante eu ter escrito isso neste texto, mas, você vai entender mais pra frente.


O aspirante ao cargo de DJ tinha que, da mesma forma que o próprio DJ, conhecer MUITO sobre música, pois como via de regra atuava como iluminador (e eventualmente supria alguma ausência do DJ), tinha que saber o exato momento onde dar um “blackout”, em qual solo de bateria deveria soltar a strobo,  etc.;

E isso era o diferencial do próximo DJ, pois ele já conhecia o trabalho e podia casar seu estilo, com o estilo da casa, com as músicas que eram executadas.

E os equipamentos? Não dava pra tocar se não tivesse um bom par de tocadiscos e um bom mixer. Claro que muitas casas, querendo economizar, colocavam tocadiscos  de baixa qualidade, agulhas que quebravam com qualquer pressão mais exagerada, mixers que vazavam canal…. e tudo isso impactava na performance do DJ.

Pra não dizer que, em épocas mais remotas, não havia ‘pitch’ nos tocadiscos. Então, aí, ou o cara era bom de repertório, ou ele estaria na rua no dia seguinte. E, como o número de casas era reduzido, “dar um Moisés” numa pista significava se queimar com praticamente a cidade inteira!

Ah! Ainda no quesito repertório, a CASA possuía os vinis (músicas, repertório) e não o DJ. Ou seja, não tinha como saber se uma música era boa ou não, a menos que você tivesse bastante contato com outros DJs que já haviam tocado aquela track e aprovado (ou reprovado).

E você aí achando legal porque hoje tem um Virtual DJ, e seu super Sync, que “casa” os bpms automaticamente, uma internet de 10Mbps, um software de torrent ou de P2P, acesso a sites como Juno, Beatport e o top10 da rádio local.

Realmente, é muito legal! Sabe por que? Pelo simples fato de tudo isso não demandar esforço! Você pega as músicas que alguém teve o trabalho de pesquisar, de garimpar, baixa em algumas poucas horas, já sabe que todas estão bombando, põe no note de algum familiar com o Virtual DJ e já coloca DJ antes do nome… pra ir bater na porta de alguma balada e oferecer seus ‘préstimos’ a troco de banana, é mole, mole!

Mas, e aí? Quem vai continuar pagando essa conta? Seus pais? Por mais que você escolha essa área como profissão, da mesma forma que escolheria qualquer outra área, como Direito, Administração, Engenharia, precisa, sim, INVESTIR. Esqueça a porcaria do Sync e, consequentemente, o Virtual DJ.

Por melhor que o Virtual DJ seja um excelente software, que controle até iluminação DMX, não é a melhor opção para você, iniciante! Você precisa de algo que lhe permita ver (ouvir) que errou e, a partir daí, começar a corrigir seus erros. Que tal um par de CDJ100s e um Mixer Básico de 2 canais? Não adianta também, querer logo de cara um par de CDJ 2000 e um mixer DJM 900, pois, na boa, o máximo que você vai tirar dele é um batuque ensurdecedor com alguns efeitos que o deixarão mais ensurdecedor ainda. Igual a uma pessoa que pega uma guitarra hoje e amanhã já quer ser um Joe Satriani, um Steve Vai, ou mesmo um Slash. Esquece!

Pretende ser DJ ? Então, ESTUDE!

Grave seus sets, ouça, veja onde você está ‘sambando’, entenda corretamente como se conta barras e compassos da música, onde deve ser feito o disparo e, para deixar a coisa um pouco mais difícil, desafie-se a mixar músicas que não têm o andamento linear, como as dos anos 70, que vão exigir muito conhecimento de pitch, o que demanda ouvidos MUITO calibrados. E isso demora, em média, 1 ano para acontecer.

Estude !

Música não é só o Funk, o ElectroHouse, o Dutch House, ou o House em si. Música é um universo MUITO MAIS AMPLO que esse seu mundinho de rádio FM. Por mais que você queira se especializar em um estilo, nunca vi nenhum profissional começando como Diretor de Empresa (e sim, vamos sempre usar essa comparação, afinal, você quer se profissionalizar, não é?), e sim, sempre dos cargos mais baixos para, com o tempo, estudo e dedicação, ir CONQUISTANDO seu espaço e alçando vôos mais altos; portanto, comece por baixo! Vergonha é ser apontado como ‘puxa-tapete’. 😉

Excesso de autoconfiança, bem como soberba, arrogância, prepotência são venenos para qualquer profissional de qualquer área.

Estude!

E só se ponha a entrar no mercado de forma profissional depois que você “concluir” os estudos e tiver aprovação de DJs mais experientes. Não fique apenas na mixagem, procure aprender um pouco sobre montagem dos equipamentos, que pode te salvar em horas difíceis; quanto mais conhecimento você tiver, mais bem remunerado pode ser!

DJ, COBRE pelo seu trabalho!

Pense que você não gostaria que alguém tomasse o trabalho dos seus pais por um salário 50% menor do que seus pais ganhavam e, face a isso, seus pais tivessem que se mudar para um apartamento ou casa menores, que você não poderia mais ter acesso a internet ilimitado, enfim, um monte de ‘cortes’ face a alguém que se ofereceu para fazer o mesmo trabalho que eles, por metade do preço.

É EXATAMENTE ISSO que acontece quando um DJ inexperiente se oferece para fazer algo que não sabe fazer e face a isso, cobra um valor menor, pois “está começando na profissão”: arruina a vida de pessoas que dependem daquele emprego para sustentar casa e família.

Tiesto é Tiesto. Fatboy Slim é Fatboy Slim. Avicii é Avicii. E você? Por enquanto, é só mais um na fila. Vai depender do seu esforço, dedicação, empenho e conhecimento adquirido para, quem sabe um dia, se tornar um desses famosos nomes.

NUNCA PREJUDIQUE O PRÓXIMO para conseguir seu espaço. A vida cobra lá na frente.

Continue por aqui. No próximo post falarei sobre carreira e entrada no mercado. Obrigado pela sua atenção.

DJ Roger Manosi – FestAgora Produções e Eventos – Campinas – SP